segunda-feira, 20 de junho de 2011

Elaboração e edição de textos


Diferentemente da escrita tradicional, na escrita digital as possibilidades de correções do texto ao longo do processo de construção do mesmo são muitíssimo facilitadas. Podemos apagar, recortar e colar, trocar frases inteiras de uma posição no parágrafo ou ainda trocar a posição de um parágrafo no texto, sem perdermos muito tempo apagando e reescrevendo tudo novamente.

Outra possibilidade interessante da escrita digital é a interconexão do texto construído por um autor com outros textos construídos por outros autores, desde que estes estejam disponíveis na rede. Basta colocarmos um hiperlink numa palavra ou frase do texto que ao clicar nele, outras páginas da web abrem-se aumentando enormemente o conteúdo do texto, numa sequência infinita de ligações intertextuais através da navegação nos links das páginas abertas por conta dos links colocados no texto construído. Um exemplo muito bacana dessa experiência hipertextual é a tese de doutorado de Maria Helena Pereira Dias. Para potencializar esse ganho da escrita digital o domínio das ferramentas de edição de texto digitais precisa ser vasto, melhor seria que fossem plenos. Além disso, o desenvolvimento da capacidade de relacionar os textos em hiperlinks também é desejável, sempre aliada a um trabalho de pesquisa sobre o assunto do texto para enriquecê-lo intertextualmente.
Os pontos negativos também são muitos, tudo depende do uso da escrita digital. No contexto da escola, por exemplo, a facilidade de edição do tipo copia e cola, pode acabar por diminuir o espaço da autoria original dos autores de textos digitais, o que em última instância leva a um problema a cerca de direitos autorais.




Outro problema está relacionado ao estilo superficial, rápido e gramaticamente empobrecido dos textos típicos de chats e redes sócias. Essa prática simplificada de escrever nesses ambientes acaba por contaminar outras escritas digitais. A caligrafia e a coordenação motora também são prejudicadas quando a criança habitua-se a escrever sempre com auxílio do computador. Para minimizar essas perdas, é essencial aprendermos a trabalhar com referências autorais e evitar as cópias, sempre desenvolvendo textos criativos mesmo que inspirados em outros textos

Reflexão com vídeo

As tecnologias estão no cotidiano de cada um de nós, alguns vivenciam essa relação com mais intensidade e outros com menos, mas todos nos relacionamos com ela. Na população, os jovens e os adultos intelectualmente mais instruídos, principalmente nos grandes centros urbanos são os que mais interagem com as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). As escolas, principalmente urbanas, como instituições focadas no desenvolvimento humano das crianças e adolescentes, não podem deixar de lado um ingrediente tão importante do cotidiano de público.
Mas como integrar a tecnologia na escola é uma decisão importante e que deve ser tomada pelo coletivo da escola, e constar em seu Projeto Político Pedagógico (PPP). Como queremos que nossos estudantes vejam e utilizem as TICs?
Apesar de terem sido enaltecidas como a invenção humana que iria salvar a humanidade da barbárie através dos mais variados produtos que seriam a garantia de conforto, de justiça social e união entre os povos, sabemos que nem sempre as tecnologias são utilizadas com esses nobres propósitos. A força do modelo econômico capitalista tem outros planos para os produtos tecnológicos. Nós, educadores, temos um papel importantíssimo como mediadores da relação dos estudantes com as TICs. Precisamos ajudá-los a fazer um uso saudável da mesma. Usá-la para o bem estar individual, sem com isso comprometer o bem estar coletivo e ambiental tendo sempre em vista a reflexão sobre os valores que asseguram o desenvolvimento da humanidade em cada um de nós.
Os vídeos dessa atividade são sugestões de temas que podem ser trabalhados nesse sentido. Perceber os interesses econômicos por trás dos apelos diversos que as mídias veiculam, como mostrado no vídeo “criança a alma do negócio”. Refletir sobre a mudança de comportamento dos jovens viciados em internet, não somente em jogos, como problematiza o vídeo “Viciado em Word of Warcraft”. Ajudá-los a refletir sobre a história da humanidade, as regras do funcionamento do capitalismo e como podemos resistir a esse regime perverso, brigando para que os direitos sociais adquiridos teoricamente em nossa moderna legislação não fique só no papel, como problematiza o vídeo “As fases da Revolução Industrial”. Ajudá-los a não se tornarem dependentes irrefletidos da tecnologia, ou eternos infelizes por não poder tê-las, como problematiza o vídeo “O impacto das TICs na vida social”. Por fim, o último vídeo dialoga mais com a formação de professores do que com temas a serem trabalhados com os estudantes. Perpassa todos os outros, na medida em que questiona o nosso papel como professores transmissores e nos sinaliza sobre a necessidade de sermos cada vez mais professores mediadores, que auxiliem os estudantes a organizar seus conhecimentos, já que as informações estão disponíveis nas mídias digitais sem que precisemos transmitir-lhes.

Tecnologia na escola e na sociedade

Em nossa escola só temos o Ensino Fundamental (EF). Quem mais usa o laboratório de informática (ou sala de tecnologias) são os professores das séries finais do EF. As professoras das séries inicias do EF usam muito menos. Mas ambos não usam muito, na minha opinião. Nossa agenda de reserva de salas (temos duas) é muito pouco usada. A Maioria das aulas são feitas de improviso e eventualmente outras ainda servem para cobrir a falta de colegas por motivos diversos. A atividade mais realizada pelos alunos na sala quando estão em aula é a pesquisa de assuntos no Google e a cópia dos textos no caderno (por muita insistência minha, alguns resumem e anotam as fontes). Os alunos gostam de trabalhar na sala, mas não para pesquisarem no Google e sim para acessarem jogos on-line, as redes sociais, os chats e o YouTube. Alguns poucos alunos das séries finais do EF usam a sala no contra turno para realizar tarefas de casa e para divertirem-se quando não tem ninguém precisamos para usos escolares. Até mesmos alguns membros da comunidade, como pais e ex-alunos também a utilizam eventualmente. Na comunidade onde a escola está localizada, não existem cybers.


A maior mudança que os computadores trouxeram para a escola, na minha opinião, é o materialização do potencial de pesquisa e inclusão digital e social que ele representa. Mas para o potencial se realizar, precisamos partir para a ação. A maior parte de nossos professores não tem intimidade com as TICs. Precisamos fazer uma formação em TIC's para nossos professores dentro de nossa escola, com um ritmo suave e muito acompanhamento dos formadores, porque essas feitas pela secretaria são muito distantes geograficamente e muito difíceis para o nível de autonomia digital de alguns colegas.


Não consigo avaliar se o uso dos computadores está contribuindo para que nossos alunos sejam mais críticos e criativos. Acho que não, pois ela ainda é muito sub-utilizada. Além disso as TICS são apenas mais uma ferramenta que podem auxiliar os professores a realizar essa tarefa, mas se os professores não estão focados nesses objetivos, as TICS podem ser intensamente utilizadas mas não garantem que os alunos adquiram essas competências. Não tenho acesso ao trabalho deles nesse nível de detalhe e não tenho como avaliar se eles têm essas competências como objetivos de aprendizado. Pude perceber que alguns professores das series finais parecem trabalhar sim nessa direção mas com pouco frequência na sala de tecnologias.