domingo, 10 de julho de 2011

Projeto Integrado de Aprendisagem

Nosso projeto ficou muito grande, mas não tivemos tempo de adequá-lo a um tamanho adequado para uma postagem de blog.



Introdução:

Para explicitarmos como chegamos às perguntas iniciais que nos levaram ao tema de nosso projeto, precisamos contextualizar a origem de nossas inquietações.
Somos professoras na EEB Lúcia do Livramento Mayvorme, localizada na comunidade do Monte Serrat, no Centro de Florianópolis. Nossa escola faz parte de um movimento social organizado chamado “Fórum do Maciço do Morro da Cruz” (FMMC). O Fórum por sua vez é formado por diversas comissões, entre elas a de educação. A comissão de educação do Fórum (CE/FMMC) é integrada pelos profissionais de educação de algumas escolas que atendem as comunidades que ocupam o Maciço Central no Morro da Cruz. Nem todas as escolas que atendem aos estudantes dessas comunidades fazem parte do Fórum. Para fazer parte do Fórum a escola precisa se comprometer com o movimento e seguir diretrizes acordadas pelo coletivo durante as assembléias.
Este ano, o tema inicial dessa formação é a Formação Política dos professores no intuito de politizar a ação pedagógica desses profissionais para que auxiliem seus estudantes a conhecerem e exigirem do estado o cumprimento dos direitos sociais garantidos pela constituição e tão negligenciados pelo poder público.
Esse projeto configura-se como um desdobramento das discussões travadas ao longo de nossos encontros de formação da CE/FMMC.
Além dessa experiência de formação política, nossa experiência, como monitoras da Sala de Tecnologia (ST) de nossa escola, foi também inspiração para esse projeto. Em nosso cotidiano na ST notamos que os estudantes freqüentam a sala espontaneamente apenas para acessar três principais tipos de sites: salas de bate-papo, redes sociais e o Youtube.
A partir dessa contextualização já é possível melhor entender nossas inquietações:

Perguntas problematizadoras:

1.Como podemos usar as ferramentas que motivam nossos estudantes a usar a ST espontaneamente para motivá-los a envolver-se em projetos pedagógicos?

2.Quais TIC's seriam mais adequadas para criarmos um ambiente colaborativo de aprendizagem onde os estudantes e professores das escolas membros da CE/FMMC possam interagir socializando na internet suas produções escolares?

3.Como poderíamos usar essas e outras ferramentas relacionadas às TICs para nos auxiliar a incentivar nossos alunos a conhecer e exigir o cumprimento dos direitos sociais adquiridos na constituição de 1988 e garantidos pelo estatuto das cidades, os quais eles nem mesmo conhecem direito e lhes são negligenciados pelo Estado.

Objetivo geral:

Criar um espaço virtual de aprendizagem colaborativa onde professores e estudantes das escolas pertencentes a CE/FMMC possam socializar suas produções construindo assim uma identificação desses atores sociais com o coletivo do FMMC.

Objetivos específicos:

•Desenvolver um portal que congregue sites das seis escolas pertencentes ao FMMC. Nos sites de cada escola devem existir links para cada uma das séries da escola que estejam desenvolvendo os projetos elaborados pelos professores das áreas nos encontros de formação de professores do FMMC.

•Desenvolver habilidades dos estudantes para usar as TICs com objetivo de socializar suas produções escolares no site de nossa escola através de oficinas específicas na ST.

Público envolvido:

O público alvo do projeto maior seriam estudantes e professores das escolas pertencentes ao FMMC. Claro que o público real depende do envolvimento tanto dos professores quanto dos estudantes dessas escolas com o projeto.
Fazendo um recorte nesse projeto maior que dependeria do envolvimento de muitas pessoas, vamos descrever uma sequência didática de um projeto de trabalho a ser desenvolvido pela professora de Ciências de nossa escola com os estudantes de duas turmas de sexta série. Vamos tentar envolver, pelo menos mais uma professora de Ciências de outra escola pertencente a CE/FMMC para que possamos interagir através do portal. Não descreveremos aqui a metodologia de planejamento conjunto entre as duas professoras em questão, por não ser este o foco deste trabalho e por não termos ainda estabelecido a parceria em questão.



Objetivos específicos do projeto de trabalho:

•Reconhecer a existência de microorganismos e suas formas de vida no meio ambiente e dentro do corpo humano.

•Relacionar a ecologia desses seres com nossos hábitos de higiene e alimentação.

•Relacionar o saneamento básico com a saúde da população.

•Conhecer como se encontra o saneamento básico de nossa comunidade e de alguma outra comunidade do Maciço do Morro da Cruz.

•Divulgar nosso trabalho na internet através do portal Galera do Maciço do uso das TICs e de produções audiovisuais.

•Propor ações que possam ajudar a resolver possíveis problemas de saneamento básico que eventualmente sejam identificados ao longo do desenvolvimento do projeto.

Tempo estimado:
3 meses ou aproximadamente 24 aulas.

Metodologia:

1a semana
1a aula (90min):
Estudantes divididos em 8 grupos de 3 integrantes na ST, todos acessam a webquest elaborado para este projeto. Com auxílio do projetor multimídea, faremos uma leitura inicial e apresentação da webquest e do projeto. Todas as atividades descritas nesse plano de ensino estarão organizadas na aba tarefas da webquest.

2a aula (45min):
Terminando de explorar a webquest e iniciando a leitura conjunto do texto de Dráuzio Varela em conjunto.

2a e 3a semana
3a aula (90min):
Respondendo o questionário 1 de levantamento de conhecimentos prévios (4 questões) em um documento de Texto no Writer salvo em uma pasta específica no PC que o grupo utilizará até o fim do projeto. Além disso cada grupo enviará o arquivo por e-mail para a professora Alice. Quem não tiver conta de e-mail fará pelo menos uma para cada grupo durante a aula seguindo passo a passo as orientações projetadas na parede. Os colegas que queiram fazer e-mails pessoais serão convidados a vir a ST no contra turno para fazê-los.
Após análise dos questionários no intervalo de tempo entre esta e a próxima aula, possíveis ajustes podem ser feitos pela professora no questionário e nos links de consulta da pesquisa para adequar a abordagem aos pontos da matéria que o questionário apontar como mais frágeis.

4a aula (45min):
5a aula (90min):
6a aula (45min):
Durante essas aulas os estudantes navegarão pelos links de consulta da webquest para responderem ao questionário 2 de interpretação e aprofundamento do tema abordado no texto do Dráusio Varela sobre causas de um resfriado. Ao final desse sequência de aulas cada grupo deve enviar uma mensagem por e-mail para a professora com as respostas que tenham conseguido responder até o momento.

4a semana
7a aula (90min):
8a aula (45min):
Após a avaliação e sugestão de correções de todos os arquivos feitas pela professora no intervalo entre aulas, todos os grupos, mesmo os que não tiverem terminado o questionário, vão elaborar o texto da 1a socialização e escolher uma imagem das selecionadas ao longo do processo de pesquisa para postarem no portal nas próximas aulas. O texto deve relatar como tem sido o desenvolvimento do projeto, o que aprenderam até o momento, o que estão achando etc...

5a semana
9a aula (90min):
No laboratório de ciências cada grupo vai iniciar seu experimento de cultura de microoganismos. Cada grupo coleta amostras de raspas de mucosa interna da boca, raspas de material orgânico aderido aos dentes. Cada grupo vai fazer 6 culturas em placas de petri. 1 com amostras mais contaminadas (estudante que não escovou o dente após o almoço), 1 de amostra menos contaminada (estudante que escovará o dente antes da coleta) e 1 de controle onde só terá o meio de cultura. As culturas serão acondicionadas na geladeira da sala de professores devidamente etiquetadas para analise em aula uma semana depois. Detalhes do experimento estarão na webquest.
Essa aula será registrada em vídeo e foto pelo professor de Educação Física (fotografo profissional).

10a aula (45min):
Terminando de elaborar e postando a 1a socialização no portal, sem mencionar o experimento por enquanto.

6a semana
12a aula (90min):
Analisando os resultados do experimento com auxílio de lupas binoculares emprestadas da UFSC. Anotando os resultados da observação elaborando as primeiras hipóteses explicativas no caderno de ciências.
Essa aula também será registrada audiovisualmente. Fotos das placas de petri mais significativas serão registradas com zoom para a 2a socialização no portal.

13a aula (45min):
Em sala de aula cada grupo socializa suas hipóteses explicativas. Debateremos os diferentes pontos de vista e elaboraremos uma explicação coletiva dos resultados registrada nos cadernos de cada um.

7a semana
14a aula (90min):
Elaboração e postagem do texto da 2a socialização dos grupos no portal do maciço.

15a aula (45min):
Planejando nossa saída de campo para coleta de amostras de material contaminado na comunidade para realizar outro experimento idêntico para detectar focos de potenciais de contaminação de microorganismos patogênicos no ambiente onde vivemos. Essa etapa visa que os estudantes entendam os objetivos do segundo experimento e proponham locais onde eles sabem que podem existir focos de contaminação utilizando seus novos conhecimentos sobre os microorganismos patogênicos.

8a semana
16a aula (90min):
Em campo coletaremos amostras para o 2o experimento, nas cercanias da escola. Os procedimentos de tratamento das amostras em laboratório serão feitos pela professora em momento extra classe para otimizar o processo sem com isso prejudicar o aprendizado dos estudantes uma vez que serão idênticos aos realizados pelos estudantes no 1o experimento. Essa saída também será registrada audiovisualmente.

17a aula (45min):
A professora realizará a decupagem das imagens em vídeo para iniciar a edição no nosso telejornal nos momentos extra-classe. Em aula assistiremos aos vídeos selecionados pela professora e iniciaremos diviso de tarefas para a produção do nosso telejornal. A cada grupo fica responsável por uma das etapas de produção: Redação, Filmagens, Edição de imagens e Produção

9a semana
18a aula (90min):
19a aula (45min):
Iniciaremos a produção do telejornal, enquanto umas equipes trabalham, as que não tiverem função devido a necessidade de esperar pela realização das etapas iniciais, os grupos ociosos colocarão as tarefas da webquest em dia e farão o registro do andamento do projeto em forma de texto e fotografias para postarem no portal socializações freqüentes do processo de produção do telejornal.

10a, 11a e 12a semanas
20a aula (90min):
21a aula (45min):
22a aula (90min):
23a aula (45min):
Estaremos produzindo nosso telejornal durante essas três semanas de aula, divididos em equipes. A sequência didática termina com a socialização do telejornal no auditório da escola (ou em local maior se outras escolas estiverem interagindo no portal) e a consulta dos integrantes do projeto a todos os colegas estudantes e professores da escola sobre o que podemos fazer com esse material para reivindicarmos que o Estado elimine os focos de contaminação relatados no telejornal. O projeto só termina quando o encaminhamento reivindicatório tirado na socialização do telejornal seja executado.

Referências:

RATIER, Rodrigo. Estudantes se tornam pequenos cientistas. Nova Escola, São Paulo, n. 243, p.52-55, jun. 2011. Bimestral.

DANTAS, Jéferson. O Apartheide Social na Cidade de Florianópolis. Disponível em: . Acesso em: 07 jun. 2011.

VARELA, Drauzio. Olhe esse vento nas costas, Menino! Disponível em: . Acesso em: 07 jul. 2011.





segunda-feira, 20 de junho de 2011

Elaboração e edição de textos


Diferentemente da escrita tradicional, na escrita digital as possibilidades de correções do texto ao longo do processo de construção do mesmo são muitíssimo facilitadas. Podemos apagar, recortar e colar, trocar frases inteiras de uma posição no parágrafo ou ainda trocar a posição de um parágrafo no texto, sem perdermos muito tempo apagando e reescrevendo tudo novamente.

Outra possibilidade interessante da escrita digital é a interconexão do texto construído por um autor com outros textos construídos por outros autores, desde que estes estejam disponíveis na rede. Basta colocarmos um hiperlink numa palavra ou frase do texto que ao clicar nele, outras páginas da web abrem-se aumentando enormemente o conteúdo do texto, numa sequência infinita de ligações intertextuais através da navegação nos links das páginas abertas por conta dos links colocados no texto construído. Um exemplo muito bacana dessa experiência hipertextual é a tese de doutorado de Maria Helena Pereira Dias. Para potencializar esse ganho da escrita digital o domínio das ferramentas de edição de texto digitais precisa ser vasto, melhor seria que fossem plenos. Além disso, o desenvolvimento da capacidade de relacionar os textos em hiperlinks também é desejável, sempre aliada a um trabalho de pesquisa sobre o assunto do texto para enriquecê-lo intertextualmente.
Os pontos negativos também são muitos, tudo depende do uso da escrita digital. No contexto da escola, por exemplo, a facilidade de edição do tipo copia e cola, pode acabar por diminuir o espaço da autoria original dos autores de textos digitais, o que em última instância leva a um problema a cerca de direitos autorais.




Outro problema está relacionado ao estilo superficial, rápido e gramaticamente empobrecido dos textos típicos de chats e redes sócias. Essa prática simplificada de escrever nesses ambientes acaba por contaminar outras escritas digitais. A caligrafia e a coordenação motora também são prejudicadas quando a criança habitua-se a escrever sempre com auxílio do computador. Para minimizar essas perdas, é essencial aprendermos a trabalhar com referências autorais e evitar as cópias, sempre desenvolvendo textos criativos mesmo que inspirados em outros textos

Reflexão com vídeo

As tecnologias estão no cotidiano de cada um de nós, alguns vivenciam essa relação com mais intensidade e outros com menos, mas todos nos relacionamos com ela. Na população, os jovens e os adultos intelectualmente mais instruídos, principalmente nos grandes centros urbanos são os que mais interagem com as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). As escolas, principalmente urbanas, como instituições focadas no desenvolvimento humano das crianças e adolescentes, não podem deixar de lado um ingrediente tão importante do cotidiano de público.
Mas como integrar a tecnologia na escola é uma decisão importante e que deve ser tomada pelo coletivo da escola, e constar em seu Projeto Político Pedagógico (PPP). Como queremos que nossos estudantes vejam e utilizem as TICs?
Apesar de terem sido enaltecidas como a invenção humana que iria salvar a humanidade da barbárie através dos mais variados produtos que seriam a garantia de conforto, de justiça social e união entre os povos, sabemos que nem sempre as tecnologias são utilizadas com esses nobres propósitos. A força do modelo econômico capitalista tem outros planos para os produtos tecnológicos. Nós, educadores, temos um papel importantíssimo como mediadores da relação dos estudantes com as TICs. Precisamos ajudá-los a fazer um uso saudável da mesma. Usá-la para o bem estar individual, sem com isso comprometer o bem estar coletivo e ambiental tendo sempre em vista a reflexão sobre os valores que asseguram o desenvolvimento da humanidade em cada um de nós.
Os vídeos dessa atividade são sugestões de temas que podem ser trabalhados nesse sentido. Perceber os interesses econômicos por trás dos apelos diversos que as mídias veiculam, como mostrado no vídeo “criança a alma do negócio”. Refletir sobre a mudança de comportamento dos jovens viciados em internet, não somente em jogos, como problematiza o vídeo “Viciado em Word of Warcraft”. Ajudá-los a refletir sobre a história da humanidade, as regras do funcionamento do capitalismo e como podemos resistir a esse regime perverso, brigando para que os direitos sociais adquiridos teoricamente em nossa moderna legislação não fique só no papel, como problematiza o vídeo “As fases da Revolução Industrial”. Ajudá-los a não se tornarem dependentes irrefletidos da tecnologia, ou eternos infelizes por não poder tê-las, como problematiza o vídeo “O impacto das TICs na vida social”. Por fim, o último vídeo dialoga mais com a formação de professores do que com temas a serem trabalhados com os estudantes. Perpassa todos os outros, na medida em que questiona o nosso papel como professores transmissores e nos sinaliza sobre a necessidade de sermos cada vez mais professores mediadores, que auxiliem os estudantes a organizar seus conhecimentos, já que as informações estão disponíveis nas mídias digitais sem que precisemos transmitir-lhes.

Tecnologia na escola e na sociedade

Em nossa escola só temos o Ensino Fundamental (EF). Quem mais usa o laboratório de informática (ou sala de tecnologias) são os professores das séries finais do EF. As professoras das séries inicias do EF usam muito menos. Mas ambos não usam muito, na minha opinião. Nossa agenda de reserva de salas (temos duas) é muito pouco usada. A Maioria das aulas são feitas de improviso e eventualmente outras ainda servem para cobrir a falta de colegas por motivos diversos. A atividade mais realizada pelos alunos na sala quando estão em aula é a pesquisa de assuntos no Google e a cópia dos textos no caderno (por muita insistência minha, alguns resumem e anotam as fontes). Os alunos gostam de trabalhar na sala, mas não para pesquisarem no Google e sim para acessarem jogos on-line, as redes sociais, os chats e o YouTube. Alguns poucos alunos das séries finais do EF usam a sala no contra turno para realizar tarefas de casa e para divertirem-se quando não tem ninguém precisamos para usos escolares. Até mesmos alguns membros da comunidade, como pais e ex-alunos também a utilizam eventualmente. Na comunidade onde a escola está localizada, não existem cybers.


A maior mudança que os computadores trouxeram para a escola, na minha opinião, é o materialização do potencial de pesquisa e inclusão digital e social que ele representa. Mas para o potencial se realizar, precisamos partir para a ação. A maior parte de nossos professores não tem intimidade com as TICs. Precisamos fazer uma formação em TIC's para nossos professores dentro de nossa escola, com um ritmo suave e muito acompanhamento dos formadores, porque essas feitas pela secretaria são muito distantes geograficamente e muito difíceis para o nível de autonomia digital de alguns colegas.


Não consigo avaliar se o uso dos computadores está contribuindo para que nossos alunos sejam mais críticos e criativos. Acho que não, pois ela ainda é muito sub-utilizada. Além disso as TICS são apenas mais uma ferramenta que podem auxiliar os professores a realizar essa tarefa, mas se os professores não estão focados nesses objetivos, as TICS podem ser intensamente utilizadas mas não garantem que os alunos adquiram essas competências. Não tenho acesso ao trabalho deles nesse nível de detalhe e não tenho como avaliar se eles têm essas competências como objetivos de aprendizado. Pude perceber que alguns professores das series finais parecem trabalhar sim nessa direção mas com pouco frequência na sala de tecnologias.